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28/10/2019

Hospital Pompéia pode virar centro de treinamento em técnica inovadora no tratamento da próstata

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O Hospital Pompéia recebeu, no mês de outubro, representantes da Richard Wolf, empresa alemã fabricante de equipamentos endoscópicos para uma cirurgia revolucionária da próstata – o HoLEP. A técnica é utilizada para combater a hiperplasia prostática benigna (HPB), doença que atinge cerca de 25% dos homens com mais de 50 anos, e até 90% após os 80 anos. O procedimento cirúrgico com o laser foi realizado pelo médico especialista em Urologia pela UERJ e referência em cirurgia da próstata com laser Holmium no Brasil, Dr. Felipe Figueiredo.

Possuindo o único aparelho de Enucleação da Próstata com Laser Holmium (HoLEP, na sigla em inglês) do Rio Grande do Sul, o endourologista já acompanhou procedimentos deste tipo em diversos lugares do mundo, e hoje ensina a técnica tanto no Brasil quanto no exterior. A visita dos representantes da Richard Wolf também trouxe a possibilidade de o Hospital Pompéia se tornar um centro de treinamento para o tratamento da doença, coordenado pelo Dr. Felipe Figueiredo.

 

A Hiperplasia Prostática Benigna

A próstata é uma glândula que fica logo abaixo da bexiga, cuja função é produzir uma parte do líquido que compõe o esperma. Apesar da funcionalidade reprodutiva, grande parte dos problemas relacionados à próstata são urinários. Isso porque a uretra, canal que esvazia a bexiga, indo até a extremidade do pênis, passa pelo meio da próstata.

À medida que o homem envelhece, o órgão cresce progressivamente. Este crescimento é o chamado HPB, uma condição natural do envelhecimento, que faz a próstata aumentar de 2 a 3 vezes de tamanho, em condições normais. Este aumento causa uma compressão da uretra e a urina, que antes passava com facilidade pelo canal, começa a enfrentar dificuldade na passagem.

Este problema acarreta alguns sintomas, desde o jato de urina cada vez mais fraco, a necessidade de urinar seguidas vezes de dia e de madrugada e até a impossibilidade de urinar, em casos mais graves.

 

Os procedimentos anteriores

A próstata é dividida em duas partes clinicamente importantes: a parte central (ou zona de transição) e a zona periférica. A HPB acomete a zona de transição, que deve ser retirada para liberar o fluxo da uretra.

Isto era feito, em um primeiro momento, com cirurgia aberta. Parecida com uma cesariana, o procedimento removia completamente o “caroço” formado, evitando um novo crescimento. Só que, por se tratar de uma região muito vascularizada, o sangramento era bastante significativo, resultando até em transfusão sanguínea em certos casos, sem contar o risco de infecção da incisão. O período de internação variava de 5 a 7 dias, e a recuperação para atividades físicas durava até 2 meses.

O procedimento evoluiu para a “Ressecção Transuretral da Próstata” (RTU). Ao invés da incisão na barriga, um aparelho é introduzido pelo canal, que remove a zona de transição em fatias. É uma maneira muito menos agressiva de desobstruir o órgão, ocasionando menos sangramento e menor tempo de recuperação.

O problema é que o procedimento não permite a retirada total do “caroço”, para não correr o risco de perfurar a zona periférica da próstata. Como sobra uma parte da zona de transição, esta torna a crescer, exigindo um novo procedimento em até 20% dos pacientes após 10 anos. Além disso, não pode ser realizado em próstatas muito grandes, maiores que 80 gramas.

A cirurgia a laser surgiu inicialmente para vaporizar o tecido com um laser verde ao invés de fatiá-lo, diminuindo ainda mais o risco de sangramento. O problema da delimitação entre a zona periférica e a zona de transição, porém, persistia. E, como consequência, a possibilidade de resíduos da próstata tornarem a crescer é ainda maior que após a RTU.

 

A Enucleação Endoscópica da Próstata com Laser Holmium – HoLEP

A principal vantagem da Enucleação com Laser Holmium é eliminar completamente a reincidência da HPB. Isso é possível porque, ao invés de vaporizar o tecido, o laser descola a zona de transição da zona periférica, removendo-a completamente. Além disso, o laser coagula os vasos sanguíneos antes de cortá-los, reduzindo drasticamente o sangramento da região.

A internação, que antes chegava a sete dias, é reduzida para apenas um dia e a necessidade de transfusão de sangue é próxima de zero, segundo o Dr. Felipe Figueiredo. Outra vantagem do HoLEP é que permite a o tratamento endoscópico de próstatas de qualquer tamanho. Como desvantagem, o HoLEP é considerado difícil de aprender, e em todo o mundo, é realizado apenas em centros de referência especializados. O Hospital Pompéia é o único do estado do Rio Grande do Sul a oferecer esse tipo de cirurgia à população.

 

Sobre o Dr. Felipe Figueiredo

O Dr. Felipe Figueiredo é um endourologista que dedicou os últimos 6 anos de sua carreira ao desenvolvimento de um programa HoLEP autofinanciado no Brasil. Autodidata de HoLEP, o médico visitou diversos centros de alto volume na Europa para refinar a técnica e reduzir as complicações do procedimento, especialmente incontinência transitória e estenose uretral, usando ressectoscópios mais finos. Dr. Figueiredo tem apresentado anualmente sua técnica em diversos dos congressos mais importantes da área, como o “Challenges in Endourology”, em Berlim, e o “Technoloy & Training in Endourology”, na Itália. Com 470 casos operados até outubro de 2019, já é reconhecido como uma das maiores experiências em HoLEP da América Latina.

 

Sobre o Hospital Pompéia

O Pompéia é o hospital de referência na Serra Gaúcha, reconhecido pelo Ministério da Saúde como estratégico para a região de 1,2 milhões de habitantes. Isto é fruto dos frequentes investimentos em equipamentos, reformas e cursos para complementar a formação dos colaboradores.

Com 300 leitos disponíveis, 13 salas cirúrgicas, três UTIs para adultos e uma neonatal, o Pompéia nunca deixou de atender o sistema público de saúde, sendo filantrópico desde sua fundação. O Hospital Pompéia conta com 1500 colaboradores, atendimento para todas especialidades médicas, além de ser referência para atendimento a urgência e emergência.

Além disso, o Pompéia mantém três centros de saúde especializados para o atendimento de doenças crônicas: Instituto de Nefrologia (INNEFRO), Instituto do Câncer (INCAN) e o Instituto de Cardiologia (INCARDIO). Conta ainda com o Instituto de Diagnósticos do Hospital Pompéia (INDIP), um centro próprio composto por equipamentos de alta tecnologia.

Recentemente, o Pompéia recebeu a Acreditação em Excelência, mais alto nível concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). O processo foi conduzido pelo IQG, maior instituição de acreditadora do país. O processo de acreditação assegura que o cuidado com o paciente é uma prioridade da instituição de saúde.

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